Despedida

 

 

Vive e espera que a sombra te alcance

que te revele no silêncio lúcido dos sonhos

 

A chama que derrete as pedras

e as palavras incandescentes que brotam

da bruma que toca a luz dentro do teu corpo

 

O vento brinca com o medo

Encurrala os símbolos mentais

Como se fossem a água do mar

Prestes a absorver os teus passos

 

Observas o meu redor, fotografas souvenirs

 

(Esperas um momento e meditas

não há volta a dar, tens mesmo que ir

Despeço-me mas já é tarde demais

decidiste partir

Impossível, foges apenas como se fosses

uma íris)

Contudo, já aqui não estás

 

Viajas e entregas o horizonte

Fizeste disso a tua profissão

Dormes no hotel das sombras

Encantas a morte com a luz da remota fotografia dos sonhos

 

(a luz esconde a tua ausência

a sombra revela-a)

 

Das manhãs brotam as analogias

na grande tenda, o olhar voa em trapézios

a língua dança

Da lua em pétala

Jorram as soberbas especiarias

Na outra vida foste luz

Passeavas-te na companhia de felinos

 

Guardo uma cápsula com as constelações e os jardins itinerantes

por onde o tempo um dia entrou

Deposito-a na pirâmide branca que existe no fim de todas as coisas

 

©Adriano Sobral all rights reserved